• Semana Brasil Voluntário

    Hora de acertar os ponteiros com a solidariedade

    Mesmo correndo contra o tempo, a gente sempre encontra um intervalo para se divertir, descansar, conhecer pessoas, ser feliz... Agora, é hora de abrir um espacinho na agenda para fazer o bem.

    De 2 a 9 de dezembro, vamos concentrar nossos esforços para divulgar e praticar ao máximo o voluntariado transformador, apresentando novas formas de se engajar, como é o caso do voluntariado online , que pode ser praticado em todo ou em parte pela internet.

  • quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

    Educação, sempre educação!

    Mesmo com recursos limitados, a Escola Estadual Nhanhá do Couto (GO) obteve uma pontuação de 5.2 em 2007 no IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Isso significa que a unidade de ensino está 1.2 ponto acima da meta estabelecida para o ano pelo Ministério da Educação.

    Segundo a diretora da escola, Neidemar Leles Vieira, as atividades de voluntariado educativo e gestão democrática foram peças importantes para aumentar o interesse dos alunos. “Começamos a resgatar as crianças que não gostavam da escola”, afirma Neidemar.

    Ela também afirma que a gestão democrática no início pode ser difícil, pois requer uma boa capacidade de ouvir e dialogar. Mas, superadas as dificuldades iniciais, traz o envolvimento e a participação da comunidade para a melhoria contínua da escola.

    Voluntariado Educativo

    As atividades de Voluntariado Educativo tiveram início na escola por sugestão de um ex-aluno, Rafael Fernandes. Cursando a 8ª série na época, Rafael teve a idéia de mostrar a capoeira para os alunos da escola. Com algo diferente na escola, os estudantes se sentiram mais atraídos pelo estudo e a idéia deu tão certo que outras atividades também começaram a ser realizadas.

    A instituição conta hoje com atividades como capoeira, xadrez, aulas de reforço aos sábado, aulas de informática além das ministradas pelo professor efetivo da rede de ensino, programa de prevenção à violência e às drogas, oficinas de bordado, costura e pintura, além de palestra de incentivos educacionais. As atividades são ministradas por voluntários da comunidade, empresas parceiras e pela polícia comunitária.

    Pesquisado por José Elenito Teixeira Morais. Disponível em:  http://www.facaparte.org.br/, último acesso: 01/11/2008.

  • sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

    Chamada para voluntariado continua nos EUA

    Ventos de mudança varrem os EUA. Como resultado da chamada do presidente Obama para o Dia de Martin Luther King Jr, milhares de americanos, icluindo crianças, responderem organizando 13 mil projetos nos 50 estados americanos. Pintura de escolas, doações de alimentos, de sangue, foram muitas as ajudas oferecidas pelo povo americano. No Estádio Memorial Robert F. Kennedy, em Washington, milhares de pessoas organizaram a embalagem de 80 mil pacotes para enviar às tropas americanas no Iraque.

    Terminou a Ação do Dia de Martin Luther King, mas não terminaram as necessidades do país. Obama conta com a continuação dos esforços voluntários como uma das armas principais para sair da grave crise que se instalou. O site USA Service continuará ativo durante o ano todo oferecendo oportunidades de voluntariado e voluntários também podem cadastrar suas ações no mesmo endereço. 

  • segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

    Mãos presidenciais à obra!

     

    As festividades organizadas para marcar a posse de Barack Obama ganharam um tom mais solene nesta segunda-feira (19), dia de feriado anual colocado sob o signo do voluntariado nas associações de caridade em homenagem ao líder negro Martin Luther King.

    Na véspera de se tornar o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, Barack Obama começou, entre outras atividades, visitando soldados feridos no hospital militar Walter Reed, na periferia de Washington, um estabelecimento criticado pelas condições lamentáveis de alojamento dos pacientes. Ele também ajudou a pintar paredes do Sasha Bruce, um abrigo de emergência para adolescentes e sem-teto na periferia da capital. (leia mais)

  • sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

    Uma geladeira…remédios!

    Por Brunno Pessoa

    É com profunda tristeza que começo a página do nosso Diário de hoje (10/12). Diferente do que eu comentei no último Diário do dia 3, segundo números divulgados localmente, 30 famílias blumenenses ficaram desabrigadas com o temporal que caiu na noite de terça para quarta. Rezemos para que as condições do tempo melhorem por aqui.

    Desde segunda-feira, dia que cheguei na cidade e comecei o trabalho voluntário, noto que dia após dia o desastre que aconteceu em Santa Catarina vem perdendo espaço na mídia, enquanto o número de voluntários também tem caído na Vila Germânica, o que anda gerando muita preocupação por parte dos coordenadores e outros voluntários como eu.

    Hoje, quando cheguei na central de cadastros de voluntários, levei um baita susto ao olhar para o galpão onde todas aquelas senhoras trabalhavam com muito carinho e ver que não havia nenhuma delas ali. Todas aquelas mesas, toda aquela linda imagem de união e solidariedade havia se transformado num vácuo, num vazio enorme, que fez doer o coração. Eu queria entender o motivo por elas terem desaparecido, uma vez que as toneladas de donativos ainda continuam por lá, esperando por voluntários para que possam ser distribuídos nos abrigos, então, fui atrás da resposta e fiquei assustado com duas informações, sendo que a última, parece ser boato.

    A primeira notícia é que ontem houve uma reunião e foi decidido que todas as profissionais de educação da prefeitura deveriam retornar às escolas. Eu queria saber o por quê, uma vez que algumas professora voluntárias já haviam comentado comigo que o ano letivo das escolas públicas de Blumenau já havia terminado. A resposta que tive foi que elas iriam ajudar com as doações que chegam diretamente nas escolas. Elas fazem muita falta na Vila Germânica, e agora, o que nota-se é que a maioria dos voluntários eram da prefeitura. A maior parte que restou agora, são voluntários que vieram de outras cidades ou estados. Nota importante: PRECISA-SE DE VOLUNTARIOS! Quer ser um? Pergunte-me como!

    A segunda informação que, no meu ponto-de-vista, chega a ser desumana, e por isso parece ser boato que corre entre os corredores formados por pilhas de caixas e sacos dos galpões, é a de que amanhã o galpão precisará ser esvaziado, pois haverá um evento no local no fim-de-semana. Se a informação procede, isso é absurdo! Há toneladas de donativos ainda estocadas, enquanto caminhões e mais caminhões não param de chegar de toda parte do Brasil. No meu ponto-de-vista, a velocidade em que os donativos chegam está sendo muito maior do que a velocidade em que saem para os abrigos. Ao meu ver, o que acontece é que muitas empresas doam o transporte para entregar os donativos na Vila Germânica, porém, esquecem que há necessidade de transporte para encaminhar o que chega para os abrigos após a triagem. Isso é uma sensação que tenho enquanto estou dentro do galpão, então deixo o meu apelo para que aqueles que conhecem pessoas que trabalham em empresas transportadoras ou possuem caminhões, que proponham-se a nos ajudar nesse trabalho.

    Redução de voluntários e eliminação de um local que recebe e distribui doações. Isso tudo dá a entender que as coisas estão melhores, mas não é verdade. Os voluntários que estavam presentes hoje suaram MUITO a camisa para dar conta de armazenar tudo aquilo que chegava, e há pessoas necessitando dessas doações. Escuto diariamente história terríveis sobre vítimas das enchentes. Amanhã passarei mais detalhes sobre esses importantes assuntos, pois acredito que estarão melhores esclarecidos.

    Pois bem. Por conta da falta de voluntários, enquanto antes eu e mais outras pessoas estávamos responsáveis principalmente pela parte da organização dos colchões e colchonetes que chegavam, dessa vez precisamos mudar de papel e ser mutifuncional. Fizemos tanto o descarregamento como a pré-triagem dos donativos. Foi uma correria só. Era muito estranho entrar no setor de cama/mesa/banho e não encontrar os amigos que fiz lá. Senti falta da alegria e das bobagens que falávamos durante os diversos afazeres ao longo do dia. Fiz bons amigos naquele local e espero não perder contato com eles (trocamos telefones e emails!).

    Enquanto estávamos descarregando um dos caminhões, precisamos descer com uma geladeira antiga, bem pesada. Ao colocá-la no chão, sem querer a porta se abriu, e lá estava: dezenas de caixas de medicamentos foram expulsos do eletrodoméstico e se esparramaram pelo solo. Todos gritaram: “Remédios! Remédios!”. Foi Deus que fez aquela porta se abrir, alguém tem dúvida?

    Hoje conheci mais uma pessoa muito especial. A Ana Maria é uma das coordenadoras e um doce de pessoa, com uma garra e sede de vitória que contagia. Hoje eu perguntei a ela se ela conseguiria pra mim duas camisas, pois acabei trazendo quantidade suficiente e o hotel onde estou não dispõe de lavanderia. Minhas roupas, no fim do dia, estão literalmente pretas, encharcadas de suor e fedorentas. Ela conseguiu pra mim duas camisas e me disse em off: “Amanhã vamos juntos na loja de um amigo, quero te dar um presente! Você vai escolher uma camisa de Blumenau, lá tem umas lindas!”. Sorri e agradeci muito. Achei muito doce da parte dela.

    Logo depois que saí do almoço, fui numas lojinhas que localizam-se na própria Vila Germância para comprar uns souvenirs. Tem umas coisas bem bacanas e acabei gastando o que não devia, mas vale cada centavo. São lindos e trazem momentos que jamais vou esquecer.

    Ao sair da loja de souvenirs, um grupo enorme de jovens argentinos fazia uma verdadeira algazarra na Vila. Todos estavam vestidos como alemães, estava felizes da vida, tiravam muitas fotos, arriscavam na língua alemã e alegravam o ambiente. Fui com meu portunhol e simpaticamente eles toparam tirar uma foto comigo. A foto ficou demais! Ele todos à caráter e eu no meio. Havia uns 30 no grupo. Foram super simpáticos!

    Com o objetivo de trazer o espírito natalino para a cidade, a prefeitura de Blumenau passa a realizar a partir de hoje diversos eventos natalinos. Hoje estive no Parque Ramiro Ruediger, a duas quadras do hotel onde estou, e local que foi destruído pelas enchentes, mas recuperado rapidamente pela prefeitura. Um lugar muito bonito, com um lago e uma ponte que, no estilo germânico, faz um belo corte neste lago. Na noite de hoje, lá se apresentou a Orquestra e o Coral da FURB (Universidade Regional de Blumenau) - lindas canções natalinas, e apesar de todos os cidadãos estarem muito chocados com a catástrofe, o show emocionou e alegrou a platéia. Os bastões luminosos distribuídos para as pessoas e a queima de fogos foram espetaculares. Filmei! Tirei foto!

    Bem, hoje não estou muito inspirado para escrever, estou bastante cansado. Amanhã retornarei com mais detalhes sobre as situações por aqui.

    Que o espírito natalino continue abençoando Blumenau, essa terra linda que conheci e me conquistou de forma inexplicável.

  • terça-feira, 09 de dezembro de 2008

    Segundo dia: uma bola, várias mensagens

     

     

    Por Brunno Pessoa

    Mais um dia de muito calor em Blumenau, mais um dia lindo. Assim acordei e deparei-me ao abrir as cortinas do quarto onde estou hospedado. As luzes do sol refletiam sobre o piso e desafiavam os meus olhos, mas consegui mantê-los abertos. A adrenalina e ansiedade por um novo dia na Vila Germância estavam perturbando positivamente o meu corpo e a minha mente.

    Assim que cheguei na Vila Germância, me encaminhei para o centro de cadastro de voluntários. Sim, é algo que precisa ser feito todos os dias para controle da organização. Logo em seguida, dirigi-me ao setor de colchonetes, e o Cristiano, um garoto de uns 17 anos, já estava empenhado no trabalho. Juntei-me a ele enquanto mais um caminhão lotado de colchonetes adentrou o galpão. “Cristiano, temos mais trabalho por aí!”. A armazenagem dos colchões e colchonetes é feita no mezanino do galpão, então, haja força e fôlego para realizar o trabalho. Alguns colchonetes parecem ser feitos de madeira, cimento e algodão. Uma escada, estilo bombeiro, é o nosso único instrumento para organizar todos aqueles objetos no local.

    Minutos depois, gritam: “Desce 300 colchões! Vão para os abrigos agora num caminhão!”. Apesar de mal termos colocados alguns lá em cima, o aviso que poderia provocar certa irritação numa situaçao especial como essa, fez-me sentir como tomando um choppinho gelado num bar qualquer do meu querido Rio de Janeiro. Chegar donativos é importantíssimo, mas tão importanto quanto, é vê-los indo embora para aquecer ou acalmar o coração de diversas famílias aflitas que perderam tudo nessa terrível catástrofe.

    E fomos nós atrás dos 300 colchões. E conta… 1, 2, 3, 4, 5, … quando vejo lá embaixo, uma corrente humana formou-se expontaneamente para que os donativos chegam-se até o destino daquele momento: o caminhão que os levaria até os abrigos. É uma cena de arrepiar. As pessoas suando a camisa, dando mais forças do que têm, e todos felizes da vida. Em poucos minutos, o trabalho que por dois seria feito em mais de uma hora certamente, não levou mais de 15 minutos. “Trabalhos em equipes sempre são mais produtivos”, dizem os consultores de RH, e eles estão certos.

    Hoje conheci mais pessoas especiais. A Rô, que trabalha bem abaixo do mezanino, virou pra mim num determinado momento e falou: “Brunno, depois que você levar esse colchonete pra lá, vem aqui que quero te fazer uma pergunta”. Como sou uma pessoa meio ansiosa e curiosa, eu já fui levando o colchonete pensando no que ela tinha pra me perguntar. Retorno e me deparo com ela e mais outras cinco pessoas, entre eles o Claodenir. Ela vira pra mim e pergunta: “Tu viestes de São Paulo apenas para trabalhar conosco?” (esse português lindo usado no sul do Brasil é de dar inveja… é o português correto, com um charme especial). E eu respondo: “Sim. Na verdade, sou do Rio, mas moro em São Paulo há pouco mais de dois anos”. Ela olha pra mim e fala: “Que coisa mais legal. Parabéns por essa atitude. São pessoas como você que fazem o nosso Brasil melhor”. Eu simplesmente disse: “Não tem o que agradecer. Faço isso por todos nós, inclusive por mim. É um prazer muito grande poder participar disso tudo”. Enquanto isso, os outros ao redor olham pra mim como seu eu fosse de outro planeta. Naquele momento, notei o quanto ainda falta conscientização sobre a importância do voluntariado no nosso país. Chamei a todos e disse: “Todos juntos pra tirar um foto! Vem! Você também Marcus!”. A foto ficou linda e é uma ótima recordação. Logo o Claodemir vira pra mim e diz: “Você me manda por email, hein!!!”. Eu rio e falo: “Claro! Me diz seu email.”

    Falando um pouco da Rô, ela é uma pessoa incrível, super alto astral. Hoje tive oportunidade de ter mais contato com ela e logo estávamos numa grande amizade. Ela é daquelas pessoas que brinca com tudo e com todos… Muito bom conhecer pessoas assim, positivas, alegres, com vontade de viver, de ser feliz, de ajudar ao próximo. Pelo o que entendi, ela é de Blumenau mesmo.

    Hoje também conheci dois caras que agora não consigo me recordar os nomes. Ambos são de São Paulo, sendo que um deles chegou hoje a Blumenau e foi incentivado única e exclusivamente pelo trabalho voluntário. Sentamos juntos na hora do almoço e ele disse que ainda nem tinha lugar pra ficar. Ao ir buscar mais suco pra beber, voltou com a notícia de que tinha acabado de conseguir um lugar, ao conversar com outros voluntários que moram na cidade e o ofereceram um cantinho pra dormir. Parece mesmo que Deus está aqui.

    O outro é um paulistano que mora em Londres e está de férias no Brasil. Parte da família mora em uma cidade do sul, da qual não me recordo o nome agora (como podem notar, minha memória é um pouco falha para nomes, às vezes). Assim como o paulista anterior, seu motivo por estar em Blumenau é simplesmente poder ajudar. Isso não é incrível?

    Vocês devem estar se perguntando o motivo do título do Diário de hoje, “Uma bola, várias mensagens. Uma carta, uma mesagem”, e aqui vocês vão entender: num determinado momento, quando eu estava ajudando um caminhão a ser descarregado, um senhor virou pra mim e falou: “Brinquedo! Brinquedo!”. Peguei o brinquedo durante a triagem e me emocionei com o que vi. Tratava-se de uma bola de futebol com diversas mensagens de otimismo para o povo de SC: “Estamos torcendo e orando por vocês”, “Creiam sempre, pois Deus é maravilhoso”, “Jamais desistam, pois depois da luta virá a vitória”, “Vocês são mais do que vencedores”, “Ao bravo povo catarinense”. Quando li tudo aquilo, eu achei que eu não devia simplesmente armazená-la entre todos os outros brinquedos já existentes no galpão, sem querer tirar a importância de cada um daqueles objetos, claro, pois cada um vai preencher o vaco que ficou na vida de muitas crianças brasileiras. Entreguei a bola para uma das coordenadoras, que começou a ler as mensagens e me agradeceu. Fui para o outro galpão para fazer alguma coisa que tinham me pedido e, quando retorno, a coordenadora está cercada por um grupo de aproximadamente cinco pessoas mostrando a bola para eles. Isso sim é fazer um gol de placa! Linda doação, lindas palavras. Parabéns ao doador, seja quem for.

    Ainda dando continuidade à explicação do título do diário de hoje, vem a parte que me fez derramar lágrimas (consegui registrar esse momento com a minha câmera, fiz um vídeo!). Eu estava ajudando na triagem de roupas. O galpão onde as roupas estão sendo separadas é basicamente formado por mulheres voluntárias, de idades que variam de 15 a 85 anos. É uma cena linda de se ver: idosas trabalhando com tanto carinho nessa ação. Mas, voltando… eu estava deixando algumas roupas que tinham acabado de sair do caminhão na montanha de roupas que formou-se naquele setor do galpão quando, de repente, alguém anuncia no microfone: “Tenho algo muito importante a dizer e gostaria que vocês escutassem para que saibam que o trabalho que vocês estão fazendo aqui é lindo e continuem fazendo com amor. Dentro de uma das sacolas com donativos, tem uma carta escrita por Neuza M. P., que diz…”. Na mesma hora, saquei a minha câmera do meu bolso e comecei a registrar. Ela continuou: “… ‘16 horas, 24 minutos, 02 de dezembro de 2008. Estou doando roupas, um pouco do que posso, pois também sou pobre…’”. A moça no microfone interfere e comenta que as letras aparentam ser de uma pessoa que mal sabe escrever, e continua: “…mas é de todo meu coração e desejo que todos vocês tenham força e coragem porque Deus é brasileiro. Sou católica e que Deus abençoe todos aí. Força, irmãos. De Neuza para Santa Catarina”. Ao ouvir essa simples mensagem, mas mergulhado naquele mar de voluntários, todos felizes trabalhando para ajudar a quem precisa, não me contive e me emocionei. A mensagem foi seguida por uma salva-de-palmas. Foi lindo, um momento que levarei para o resto da vida.

    Seja qual for o Deus que você acredita, que ele abençoe a nossa querida terra chamada Brasil.

  • terça-feira, 09 de dezembro de 2008

    1º dia: A Esperança

     

     

    Por Brunno Pessoa

    Esperança. Essa é a palavra que melhor define o sentimento que senti hoje ao ver o que está acontecendo aqui em Santa Catarina, mais especificamente em Blumenau, cidade onde me encontro.

    Depois de quatro horas de sono, pois acabei indo dormir tarde batendo papo com uma amiga ao telefone, e precisando estar às cinco horas da manhã em Congonhas, fiquei encantado com o amanhecer do dia. O sol implorava por refletir seus raios dourados no mar inquieto. Eu estava no meio da leitura de “A elegância do ouriço”, de Muriel Barbery, quando resolvi abrir a janela do avião e me deparei com aquele lindo cenário. A aterrisagem foi fabulosa. O aeroporto de Navegantes é mergulhado no oceano, e me deu uma serenidade absoluta. Fechei o livro e não parei de admirar a vista proporcionada pela janela.

    É bem verdade que meu estômago estava embrulhado, sentia um enorme frio na barriga. Eu tinha receio do que estava me esperando e de como eu encararia isso tudo. Vir sozinho para um local declarado em estado de calamidade pública, não é das decisões mais fáceis, mas sempre estive certo que era isso que eu devia fazer, mesmo escutando opiniões contrárias. Segui o que o meu coração dizia e aqui estou.

    Mas voltando ao primeiro parágrafo, esperança é a palavra que melhor define tudo isso que acontece aqui. Logo ao chegar na Vila Germânica, local onde ocorre a Oktoberfest, e está sendo utilizada como centro de arrecadação e distribuiçao de donativos, fui me informar sobre onde se encontrava o centro de cadastro de voluntários. A hospitalidade e a garra desse povo me cativou. Quando eu falo que sou do Rio mas moro em São Paulo e vim somente com a finalidade de contribuir como voluntário, eles agradecem e abrem um sorriso muito doce e sincero, seguido de “muito obrigado por vir nos ajudar”.

    Fiz o meu cadastro e a moça pediu para que eu me dirigisse ao setor 3, setor de colchonetes, e assim o fiz. Logo ao entrar no centro, me deparei com uma cena que me lembrava um chão de fábrica, bem Ford: as mulheres encontravam-se em fileiras, e cada uma tinha o seu papel. Uma abria caixas, a outra separava roupas de alimentos, a outra empacotava, a outra lacrava os pacotes a serem encaminhados para doação, etc. Enquanto isso, os homens faziam o trabalho mais pesado, o de descarregar os abarrotados e inúmeros caminhões com donativos que vinha de toda parte do Brasil e do mundo (sim, a Alemanha e Taiwan também doaram toneladas). Mais ainda fiquei impressionado com o cenário do local. São toneladas e mais toneladas de todo tipo de coisa que você puder imaginar: comida, roupa, sapato, brinquedo, água (muita água!), leite, móveis, eletrodomésticos, utensílios para o lar, enfim, não sou capaz de listar tudo aqui.

    Quando cheguei no setor 3, dos colchonetes, logo conheci duas pessoas fabulosas: o Marcus e seu irmão, Mário, pessoas que, assim como eu, vieram de São Paulo apenas com o objetivo de ajudar nos trabalhos voluntários. Eles me receberam e já me engajaram nas tarefas, que diga-se de passagem, não são nada fáceis. Suei a camisa, que era branca e ficou preta… e carrega colchonete pra cá, e empilha pra lá, e separa o outro ali, e sobe e desce escadas. E recebe colchonetes doados, e separa para serem levados a abrigos. Trabalho duro, mas a motivação é muito maior.

    Estou hiper feliz por estar aqui. Só quem vivencia isso saberá o quanto faz bem ao coração poder dar um pouco de si a quem precisa. A cidade está desvastada, mas ainda assim, Blumenau permanence linda. Quero voltar em outubro, dessa vez para curtir o Oktoberfest! Aqui é lindo e quero voltar numa situação diferente.

    Agora são 20h e estou muito cansado. Transferi as fotos e videos do dia de hoje para o computador e ficaram bem legais - serão ótimas recordações. Agora darei continuidade à minha leitura de “A elegância do ouriço”, depois descerei para comer alguma coisa por perto mesmo e em seguida desmaiarei na cama. Estou podre de cansado e amanhã o dia começa cedo. Espero que não esteja tão quente como hoje, que parecia o calor do Rio, acreditem. Um dia lindo!
    PS. Quanta gente bonita tem nessa terra… =)

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